... estava entretida a ver alguns trabalhos que a minha irmã fez na universidade e, relativamente ao curso, tenho a dizer que terapia da fala é sem dúvida um curso maravilhoso e muito curioso ; ) ... mas o que realmente quero com esta publicação é mostrar vos o quanto a comunicação não verbal é importante, bem como uma pouco complexa, para isso vou fazer vos um resumo da minha "investigação"...
A comunicação não verbal transmite uma mensagem muito afectiva dos nossos sentimentos, emoções e vontades, através de gestos e expressões corporais. Estes meios são uma espécie de movimento que se faz palavra para aqueles que estão envolvidos no acto comunicativo. Por vezes mesmo que utilizemos um vocábulo rico, belo e bem articulado, não conseguimos transmitir aquilo que realmente pensamos e queremos dar a conhecer. Pensando que não, o nosso corpo “fala”, é uma linguagem da alma, do sentimento puro e limpo, é a expressão concreta da sua essência, resumindo uma linguagem própria que podemos considerar verdadeira, por não termos controle consciente sobre a mesma. Relaciona-se com as relações sociais e culturais, com o dia-a-dia de cada pessoa, sobretudo com a demonstração de amor e de outros sentimentos.
Acho estranho a importância da linguagem corporal ser poucas vezes realçada, pois é essencial nas relações interpessoais, assim como a necessidade de ser valorizada, compreendida e utilizada porque proporciona evolução nas relações. A interpretação desses gestos é muito rica e influência muito o processo de comunicação, bem como no desenvolve o cérebro.
No nosso dia-a-dia, é mais do que frequente comunicarmos com outra pessoa sem dizermos uma única palavra, penso que já é como uma norma usar o corpo para transmitir uma mensagem. Por exemplo em países como a Turquia e Marrocos, países islâmicos, onde existe uma cultura muito diferente da nossa, cultura ocidental, é muito normal que pessoas do mesmo sexo se toquem, se abracem e até mesmo que se beijem, o que não é muito natural na nossa cultura. O contrário também acontece num simples gesto, como o de fazer “figas”, que na nossa cultura significa dar sorte, nestes países é um gesto altamente ofensivo. O que para nós tem um significado positivo como por exemplo fazer um “V” com os dedos, é entendido em países como a Austrália e a Nova Zelândia como um insulto.
Fenómenos artísticos como a dança e o teatro, vivem desta linguagem sem palavras. Já a sabedoria popular nos dizia que “uma imagem, vale mais que mil palavras”.
Existem estudos que mostram que, no processo de transmissão da mensagem, o ouvinte, ou o receptor, está cerca de 13 vezes mais concentrado nos gestos, nos movimentos corporais e no tom de voz do emissor do que propriamente nas palavras que ele está a usar. Isto mostra que a linguagem corporal é um instrumento muito poderoso e que, quando é bem dominado, pode ser uma mais valia em qualquer situação.
Por exemplo, uma pessoa que comunica usando gestos abertos, isto é, que gesticula muito
enquanto está a falar, obviamente que se sente à vontade e que está confiante naquilo que está a dizer. Ao contrário, uma pessoa que não se mexe muito, ou está a querer passar despercebida ou está a ouvir outra pessoa com alguma atenção. O simples facto de erguer a cabeça quando alguém está a falar connosco, mostra que estamos atentos e que estamos interessados naquilo que a pessoa está a dizer. Quando estamos sentados num café, a falar com um amigo e nos inclinamos para a frente, também significa que estamos interessados. Ao invés, se nos encostarmos, isto quer dizer provavelmente que o nosso interesse já não é assim tão grande. O olhar é também uma forma de avaliarmos a segurança de outra pessoa. Se alguém evita uma troca de olhares, certamente que está pouco à vontade e insegura. Mas para além desses gestos mais gerais, existem alguns mais particulares que costumamos fazer com as mãos, os dedos, os braços, etc., particamente sem darmos conta. É habitual usarmos os dedos para nos fazermos entender melhor e ate para “ameaçar”. Quando estamos a discutir algum assunto e abanamos o dedo indicador, a pessoa que ouve sente esse gesto quase como uma repreensão. As mãos também podem ser usadas para manifestar gestualmente uma posição que queiramos tomar. Uma pessoa que se apresenta com as mãos nas ancas, transmite logo um ar provocativo e duro, que está disposto a discutir ou a participar nalgum desafio. Quando alguém quer ir directo a um assunto, numa reunião por exemplo, colocamos as palmas das mãos em cima da mesa por instinto. Com os braços é possível transmitir a ideia de defesa, hostilidade e resistência. Se cruzarmos os braços em frente ao corpo, podemos estar a dizer muitas coisas diferentes. Podemos reagir assim porque estamos com frio, mas também podemos estar numa posição de defesa ou de desagrado com algo que se esteja a passar. Nessa mesma situação, se fecharmos os punhos, estamos a ter uma postura hostil. Além de cruzar os braços, ainda podemos segura-los com as mãos, o que revela uma atitude defensiva e muito rígida. As pernas são outra parte do corpo que podemos usar para mostrar a nossa disposição numa discussão. O facto de traçar a perna mostra uma postura argumentativa e competitiva, própria duma discussão. Quando alguém se quer mostrar ainda mais duro e firme em relação às suas convicções enquanto participa em algum debate, alem de cruzar a perna ele segura-a com os braços. Também é frequente uma pessoa colocar as mãos atrás da cabeça enquanto debate quando se quer mostrar como “dono da verdade”, que sabe tudo, mas que quer debater na mesma. Esta postura não é normalmente muito bem aceite pelas outras pessoas.
Por ultimo, vou falar sobre a parte mais expressiva do nosso corpo: o rosto. É possível fazermos dezenas de expressões para representarmos sensações e estados de espírito diferentes e isso é usado (voluntária ou involuntariamente) como as mãos e os braços. Quando estamos a ouvir uma pessoa a mentir, é normal colocarmos a mão à frente da boca ou franzirmos a sobrancelha. Também é normal começarmos a coçar as orelhas quando deixamos de prestar muita atenção
no que a outra pessoa está a dizer e passado algum tempo, é frequente apoiarmos a cabeça com a mão. Se o nosso interesse pela conversa aumentar, uma reacção normal é fechar o pulso, sem servir de apoio à cabeça ou esfregar o queixo, quando estamos a tirar alguma conclusão. A comunicação é o resultado de uma coordenação de vários elementos, onde os gestos e o movimento corporal representam uma grande percentagem (senão a maior) deste processo. Se uma pessoa não tivesse expressão, seria muito mais complicado analisar e compreender o que ela quereria exactamente dizer, já para não falar segundos sentidos e ironia, que deixariam de existir. A linguagem corporal é algo que o ser humano vai desenvolvendo e aperfeiçoando ao longo da vida. Foi assim que começamos a comunicar com os nossos pais e ainda é através dela que, muitas das vezes, nos fazemos entender. É, sem dúvida, um trunfo que temos a nosso favor quando queremos comunicar, mas também nos pode desmarcar facilmente quando não é bem controlado. No entanto, se avaliarmos os prós e os contras, chegamos facilmente à conclusão que há muitos mais virtudes que defeitos neste tipo de comunicação.
De tudo o que li, retirei esta frase: "Os olhos são os intérpretes do coração, mas só os interessados entendem essa linguagem." Blaise Pascal
P.S.: Agora falo um bocadinho para ti... Desculpa se não te estou sempre a dizer ''olá'', desculpa se não estou sempre a sorrir para ti, desculpa se ás vezes estás à minha beira e mal te falo, desculpa às vezes ser distraida em excesso, desculpa a palavra 'gosto' quando realmente queria dizer 'amo-te', desculpa tudo o que te possa ter feito... mas peço-te que repares que as atitudes e gestos que tenho contigo, não tenho com mais ninguém, provocas-me incerteza e medo de tudo, até o absurdo receio de agir e falar, sabes porquê? porque te AMOOO até ao infinito!!! mas o mais simples de todos estes promenores, que implicitamente referi, é o meu olhar, se repares nele, terás muitas respostas...